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O Senhor é o meu Pastor
O Senhor é o meu Pastor

O SENHOR É O MEU PASTOR


A criação de ovelhas era uma das atividades econômicas mais comuns 
em Israel e em outras nações na época do Velho Testamento. Davi, 
antes de ser rei, foi pastor de ovelhas (I Samuel 16.11). Ao 
escrever o salmo 23, o autor tinha em mente todo o seu cuidado com 
as ovelhas e tomou isso como exemplo do cuidado de Deus para 
conosco. 
Por isso ele disse: "O Senhor é o meu pastor". Davi sabia que Deus, 
sendo o seu pastor, cuidaria dele. Observe que o salmista utiliza em 
todo o salmo as conjugações da primeira pessoa do singular. O texto 
está falando de uma experiência pessoal e intransferível que cada 
pessoa deve ter com Deus. 
"O Senhor é o meu pastor; nada me faltará". Isso não significa que 
Deus nos dará tudo o que queremos, mas nos dará tudo o que 
precisamos. Mas isso só acontecerá se o Senhor for realmente o nosso 
pastor, ou seja, se ele estiver conduzindo as nossas vidas. Se nós 
só fazemos a nossa própria vontade, escolhendo os caminhos que 
agradam ao nosso coração, mesmo sendo em direções pecaminosas, então 
o Senhor não é o nosso pastor. Mas se estamos vivendo de acordo com 
a sua vontade para nós, então estamos seguindo o Senhor como suas 
ovelhas. Portanto, tudo começa com compromisso e obediência. Essa é 
a essência do versículo 1. Se estou comprometido como ovelha, para 
obedecer e seguir ao Senhor, então ele está comprometido comigo para 
cuidar de mim e me dar tudo o que preciso. 
"Nada me faltará". Está faltando alguma coisa em sua vida? Talvez 
você pense que sim, mas pense novamente. Muitas vezes temos um 
ilusório sentimento de falta. Isso pode ser maligno. Deus nos deu 
pão e achamos que falta manteiga. Deus nos dá manteiga e achamos que 
falta queijo. Deus nos dá queijo e achamos que falta presunto. 
Afinal, quando Deus nos deu pão, nossa necessidade já estava 
plenamente suprida. Ao pensar assim, podemos dizer: Graças a Deus! 
Obrigado, Jesus! Quando os israelitas atravessavam o deserto, Deus 
lhes deu o maná. Ele vinha todos os dias, exceto no sábado, quando 
comiam o que restava do sexto dia. Nunca faltava, mas o povo sempre 
estava insatisfeito (Num.11.4-10). Esta insatisfação chama-se 
cobiça, concupiscência (Ec.6.7; I Jo.2.16). Queriam carne. Deus lhes 
deu o que pediam, mas isso lhes fez mal (Num.11.31-35). Precisamos 
ter cuidado com o que queremos. Não estamos impedidos de orar 
pedindo algo que não seja pecaminoso. Contudo, precisamos estar 
dispostos a receber um "não" como resposta. Então, paramos de pedir 
(II Cor.12.8-9). 
"Nada nos faltará". Realmente, nada nos tem faltado. O que 
precisamos o Senhor nos tem dado. Se alguns desejos legítimos não 
foram ainda atendidos, sabemos que para tudo Deus tem um tempo 
certo. Nada nos faltará no momento em que o suprimento se fizer 
necessário e oportuno. 
Algumas vezes Deus nos dá muito mais do que aquilo que precisamos. 
Então passamos a ter em abundância. O nosso cálice se enche a ponto 
de transbordar (v.5). Então podemos ter a alegria de compartilhar 
com o nosso próximo, não deixando que o seu cálice fique vazio. 
A partir do versículo 2 do salmo 23, o autor mostra o que acontece 
na vida do servo de Deus. Temos aí muitos pontos positivos, como 
verificamos nos versos 2, 3, 5 e 6: repouso, descanso, segurança 
(deitar-me faz...), pastos verdejantes (bom alimento), águas 
tranqüilas, refrigério para a alma, direção (guia-me); justiça; 
amor; mesa; óleo (unção); bondade e misericórdia. Essas palavras nos 
mostram que Deus está atento para suprir as necessidades 
fundamentais do ser humano, abrangendo questões físicas, 
psicológicas e espirituais. Só não temos aqui artigos que atendam à 
cobiça e à soberba. Ele não vai nos deixar sedentos, famintos, 
perdidos e abandonados.
Por outro lado, o texto contém também pontos negativos: O vale da 
sombra da morte no verso 4 e os inimigos no verso 5. A vara (v. 4), 
enquanto instrumento de disciplina, pode também ser aparentemente 
negativa, embora seu objetivo seja positivo. 
Isso mostra que a vida com Deus não é uma fantasia, um "mar de 
rosas". As dificuldades fazem parte do caminho. Ele nos leva 
pelas "veredas da justiça" e vereda é um caminho estreito. Davi se 
lembrava de que, quando conduzia as ovelhas, encontrava-se com 
animais predadores que queriam devorá-las. Ele chegou a matar um 
leão e um urso para proteger o rebanho (I Samuel 17.36). Do mesmo 
modo, em nossa vida cristã encontramos o diabo, que ruge como leão 
tentando nos destruir (I Pedro 5.8). Mas o salmista demonstra sua 
vitória ao dizer: "Não temerei mal algum porque tu estás comigo". 
Esta talvez seja a frase de maior destaque no salmo: "Tu estás 
comigo". O mais importante não é o que Deus pode nos dar, mas a sua 
própria presença conosco. Em qualquer lugar em que ovelha estivesse, 
ficaria tranqüila ao levantar a cabeça e ver o cajado. Este seria um 
sinal de segurança, pois o pastor estava presente, atento e 
cuidadoso. 
"O Senhor é o meu pastor; nada me faltará". Não nos faltarão 
bênçãos. Não nos faltarão lutas nem adversários, mas tudo isso 
cooperará para o nosso bem, pois a bondade e a misericórdia do 
Senhor sempre nos acompanharão. 
O último versículo nos mostra que essa nossa caminhada com o Senhor 
é eterna. Depois de atravessarmos o vale da sombra da morte neste 
mundo, entraremos na casa do Senhor. Lá não haverá mais inimigos nem 
mal algum. O salmo 23 fala da jornada do salmista durante sua vida, 
como a ovelha que caminha com o pastor durante todo o dia. Quando se 
aproxima a noite, as ovelhas são recolhidas. Assim será conosco. 
Seremos recolhidos à casa do Senhor, onde passaremos a eternidade. 
Disse Jesus: "Na casa de meu Pai há muitas moradas... Vou preparar-
vos lugar... para que onde eu estiver estejais vós também." (João 
14.2-3). 

Anísio Renato de Andrade
Bacharel em Teologia