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Utilize seu potencial -2
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Utilize seu potencial - 2

Por quê muitos deixam de usar a capacidade que Deus lhes deu? 

A vida nos coloca diante de inúmeras possibilidades e oportunidades, 
mas deixamos de aproveitar muitas delas. Por quê isso acontece? Um 
dos motivos é que estamos satisfeitos com o que já realizamos. 

A satisfação é um estado desejável. Vivemos em busca desse 
sentimento, que envolve senso de realização nas mais diversas áreas 
da vida. Entretanto, estar satisfeito pode ser algo perigoso, por 
mais estranho que pareça. Existe um risco sutil na felicidade de uma 
conquista. Isto ocorre, sem que se perceba, quando alguém se 
satisfaz em um estágio abaixo de seu potencial e de suas reais 
possibilidades. 

Em nossa trajetória, é justo que nos alegremos em cada nível 
alcançado, mas não podemos deixar de olhar para o alvo. Precisamos 
sempre avaliar aonde ainda podemos chegar. Não devemos ficar parados 
na posição atual, a não ser que saibamos ser esta a expressa vontade 
de Deus para nós. Geralmente, ele quer nos levar além, mas nós 
queremos recuar. 

Vencemos uma batalha, mas a guerra ainda não acabou. 
Ganhamos um jogo, mas o campeonato precisa continuar. 
O alpinista se alegra em cada trecho escalado, mas não pode parar no 
meio da montanha. Ele precisa sempre olhar para cima e continuar. 
Não existe mérito em se chegar ao meio da jornada. É um lugar 
perigoso. A queda é sempre iminente. 
Não adianta conceber e não dar à luz. 

O ser humano, em geral, é propenso ao comodismo. E quando se trata 
de uma posição alcançada com grande esforço, a acomodação parece até 
justificável. Talvez o estágio alcançado seja bom, e isto é 
enganosamente satisfatório. Acontece, que poderíamos ter chegado a 
excelência, mas ficamos contentes com muito menos. 

Vejamos alguns exemplos bíblicos: Eliseu mandou que o rei Jeoás, num 
ato profético, ferisse a terra com uma flecha. Ele o fez por três 
vezes. Então o profeta, indignado, explicou que este seria o número 
de vezes que o rei venceria os Sírios. Ele poderia ter ferido a 
terra muito mais e suas vitórias seriam numerosas. Contudo, ficou 
satisfeito com pouco (IIRs.13.18-19). 

Temos uma missão, possuímos dons e um grande potencial. Podemos 
tanto e realizamos tão pouco. Ficamos satisfeitos com parte, 
enquanto a plenitude nos espera. Nesse caso, nos assemelhamos aos 
discípulos de Jesus, que estavam satisfeitos em Jerusalém, quando 
Deus os queria levar aos confins da terra (At.1.8). Para isso, 
precisou utilizar a perseguição como incentivo ao movimento. 

Quando nos lembramos de onde saímos e vemos aonde chegamos, podemos 
ter esse perigoso sentimento de satisfação. Quando olhamos para 
frente e vemos o caminho que ainda precisa ser percorrido, então 
sentimos a necessidade de prosseguir. Se eu me comparar com os mais 
miseráveis da sociedade e da história, posso pensar que alcancei a 
glória, mas, comparando-me a Cristo, e ele é o nosso modelo 
(Ef.4.13; Heb.12.2), então reconhecerei que estou infinitamente 
longe do lugar aonde posso e preciso chegar. 

A igreja de Laodicéia considerava-se rica (Ap.3.14-18). Estava 
satisfeita com sua situação, mas Deus veio lhe mostrar o ponto de 
vista divino sobre a questão: a igreja era morna e acomodada. Este é 
um caso em que o êxito material tornou-se obstáculo à busca 
espiritual. 

Por exemplo, a maioria das pessoas conhece pouquíssimo da bíblia, 
mas o pior é que estão satisfeitas com isso. De fato, ignoram os 
riscos da ignorância e desconhecem os benefícios do conhecimento. 
Estão satisfeitas porque não sentem falta daquilo que lhes falta. O 
problema se resume ao óbvio: sentimos falta daquilo que perdemos, 
mas não do que nunca tivemos. O cego de nascença não sente falta da 
visão. Ele não sabe o que é isso. Não sente falta da luz, pois não a 
conhece, mas, na medida em que alguém fala, ele pode entender que a 
visão é algo desejável. Observe-se a importância de se ouvir a 
Palavra de Deus. Ela nos dá uma perspectiva daquilo que não podíamos 
imaginar. A realidade é que não vislumbramos as vantagens de sermos 
o que não somos, embora devêssemos ser. Então ficamos acomodados. 
Não estamos indignados com o nosso estado, pois este pode ser o 
único que conhecemos. Quando, porém, olhamos a vida de outra pessoa, 
podemos imaginar como seríamos em situação semelhante. Nesse caso, 
pode surgir a inveja, mas, se olhamos para o outro como um exemplo 
plausível, tal observação pode ser positiva e despertadora. 

O que conhecemos sobre Deus? Pouquíssimo. Entretanto, quantos estão 
insatisfeitos em relação a isso? Normalmente, achamos que o nosso 
conhecimento e experiência já são suficientes. 

Antes de sua tribulação, Jó conhecia algo sobre o Senhor. Ele 
parecia estar satisfeito. Afinal, era homem íntegro, reto, temente a 
Deus e que se desviava do mal (Jó 1.1). Contudo, haveria de aprender 
infinitamente mais, a ponto de dizer: "Com os ouvidos eu ouvira 
falar de ti; mas agora te vêem os meus olhos" (Jó 42.5). 

Nas áreas em que atuamos na obra de Deus, alcançamos a excelência? 
Talvez não, por causa da enganosa satisfação que sentimos com o 
medíocre estado conquistado. 

Muitos líderes estão satisfeitos com os poucos membros de sua 
congregação. Cada um deles é uma dádiva divina, mas será este o 
limite do potencial que Deus deu aos seus servos? Nossos talentos 
podem ser multiplicados (Mt.25.14). O Senhor no-los deu porque viu 
que tínhamos capacidade para o trabalho bem sucedido. 

Esta deve ser uma das principais diferenças entre os servos de Deus 
mencionados na bíblia e os da atualidade. O capítulo 11 de Hebreus 
nos dá uma série de exemplos de pessoas que fizeram muito, 
extrapolaram seus limites, e encerra dizendo que Deus reservou algo 
ainda maior para nós, que somos a sua igreja. 

Deus não faz grandes coisas na vida daqueles que já estão 
satisfeitos com sua religiosidade, sua experiência ou seu nível 
espiritual. 

Como sair desta condição de paralisia espiritual? Precisamos 
repudiar a idéia de que sabemos muito ou já realizamos o suficiente. 
Estamos apenas começando. Pensemos na grandeza do pensamento divino, 
ainda que não possamos perscrutá-lo. Deus estaria satisfeito 
conosco? 

Por outro lado, não queremos ser eternos insatisfeitos ou sentirmos 
a insatisfação vivida pelo filho pródigo na casa do pai. Nossa 
inconformação deve ser razoável, realista, baseada na palavra de 
Deus e em suas propostas para nós. 

Na vida estudantil ou profissional, no ministério e na santificação 
pessoal, existe muito a ser alcançado. 

"Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela 
renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, 
agradável e perfeita vontade de Deus" Rm.12.2. 

Anísio Renato de Andrade
Bacharel em Teologia